[ URBAN PANOPTICON ]
Maria Mire, Jonathan Saldanha, Miguel Graça
(email coda)

 

Instalação-vídeo
PAL 720x576, cor

O universo do controlo e da vídeo-vigilância ininterrupta, não são cenários que prefiguram o pesadelo do futuro, mas encontram-se já materializadas em muitos dos espaços urbanos actuais. A vigilância é hoje uma prática comummente aceite, praticada e perfeitamente enquadrada em termos legais, sendo um fenómeno que passou, em poucos anos, da rejeição à aceitação colectiva.

Verificamos que é sobre o efeito da crescente omnipresença destes mecanismos que se constrói a sensação de segurança dos indivíduos, que cientes do seu efeito normalizador constroem imagens de ambientes “seguros” e “controlados”.

Aliás, a consciência da presença de um olhar vigilante sobre um determinado espaço dispara, frequentemente, um mecanismo de “alívio” que permite vencer o desconforto ou medo decorrente da ausência de controlo do seu espaço vital, que se restabelece automaticamente sob a percepção de um olhar “protector”.

É, precisamente, no equilíbrio instável deste binómio medo-alívio, que muitas vezes se processa o jogo subjectivo do controlo e da disciplina, e que se assegura de uma forma racional e eficiente o funcionamento automático do poder e a produção de “corpos dóceis, passivos e disciplinados”.

Através de um percurso conduzido intencionalmente pela problemática dos mecanismos da “microfísica do poder” e do controlo do corpo, procurar-se-á explorar a subjectividade que existe neste binómio presente nas vivências partilhadas de uma cidade tendencialmente controlada e vigiada.

Notas:
As citações presentes no vídeo foram retiradas dos seguintes textos:
Michel Foucault. Surveiller et punir (Paris: Gallimard, 1975) + Gilles Deleuze, “Post-scriptum sur les sociétés de controle”, Pourparlers 1972 – 1990. (Paris: Les éditions de Minuit,1990) + Livro de Ecclesiastes, Velho Testamento.